Contribuintes que fecharam o ajuste anual com saldo devedor podem dividir o valor em até oito vezes; especialistas explicam o impacto dos juros Selic
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Mercado prevê inflação próxima de 5% e teme alta de juros já em março
Na semana passada, foi anunciado que o IPCA de janeiro ficou em 0,75%, muito acima do 0,37% de dezembro
O susto com a inflação de janeiro está levando o mercado a aumentar as expectativas para o ritmo da variação dos preços este ano, aproximando o IPCA de 5%.
Como consequência, fica cada vez mais forte a possibilidade de o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) voltar a subir os juros no mês que vem, quando se reúne novamente. Por enquanto, a média das apostas continua sendo de que o movimento ocorrerá apenas em abril.
A pesquisa Focus do BC, divulgada ontem, mostrou que o mercado calcula o IPCA agora em 4,78%, acima dos 4,62% registrados anteriormente. É a terceira semana seguida de elevação nas projeções, distanciandoa mais ainda do centro da meta do governo, de 4,5%. Para o IGPDI, as contas já ultrapassaram os 5% e estão a 5,13% este ano.
— O IPCA de janeiro explica esse aumento na projeção — resumiu o economista-chefe do Santander, Alexandre Schwartsman, para quem o Copom volta a puxar a Selic (hoje em 8,75% ao ano) já em março, encerrando o ano a 12%.
Na semana passada, foi anunciado que o IPCA de janeiro ficou em 0,75%, muito acima do 0,37% de dezembro, o que acabou levando a revisão do indicador pelo mercado. O problema maior são os preços dos alimentos, que têm subido sistematicamente.
Cesta sobe 4,6% em Goiânia e 0,19% no Rio, diz Dieese Em janeiro, o custo da cesta básica aumentou em dez de 17 capitais brasileiras. Segundo a Pesquisa Nacional da Cesta básica, divulgada ontem pelo Dieese, que monitora os preços dos gêneros alimentícios considerados essenciais, as maiores altas foram registradas em Goiânia (4,61%), Salvador (1,43%) e Florianópolis (1,1%) na comparação com o mês anterior.
O custo médio da cesta básica, no Rio de Janeiro, foi de R$ 213,77, ficando praticamente estável em relação a dezembro, alta de 0,19%. Nas 17 capitais, em comparação a janeiro de 2009, a variação foi negativa. As maiores quedas em Belo Horizonte (11,35%) e Goiânia (-9,38%). No Rio, o recuo nesta comparação foi de em 4,88%.
Apesar de algumas visões serem de que a alta de inflação levará a autoridade monetária a subir os juros básicos logo, a pesquisa Focus ainda mostra que a maioria dos analistas consultados acredita que a elevação virá em abril. No fim do ano, eles projetam a Taxa Selic em 11,25%.
E mesmo os que acreditam numa alta mais cedo, mantêm a projeção.
Ou seja, a alta acontecerá antes, mas não será maior.
Schwartsman, que já foi diretor do BC, apesar de ter antecipado de abril para março a previsão do aumento da taxa, manteve em 3,25 pontos percentuais o movimento integral.
O Focus mostrou ainda que o mercado elevou as estimativas sobre o câmbio ao fim do período, de R$ 1,76 para R$ 1,80, o que pesa na inflação. Para 2011, a conta continua em R$ 1,85. O mercado manteve a projeção de Produto Interno Bruto (PIB, conjunto de bens e serviços produzidos no país) em 5,35% neste ano e em 4,50% para o próximo.
A balança comercial brasileira registrou um déficit de US$ 172 milhões na primeira semana de fevereiro, resultado da diferença entre US$ 2,928 bilhões em exportações e US$ 3,1 bilhões em importações. O saldo negativo se deveu ao crescimento de 42,6% das compras externas em relação ao mesmo período do ano passado. A média diária importada, de US$ 620 milhões, foi a maior já registrada até agora.
Com isso, no ano, a balança está deficitária em US$ 338 milhões.
Déficit comercial: alta de até 428% nas importações Nas importações, as maiores altas foram nas aquisições de adubos e fertilizantes (428,2%); cobre e obras (179,2%); siderúrgicos (126,1%); combustíveis e lubrificantes (91,2%); equipamentos elétricos e eletrônicos (67,9%); e instrumentos de ótica e precisão (47,3%).
Em comparação a fevereiro de 2009, houve alta dos embarques das três categorias de produtos: básicos (16,3%), semimanufaturados (9,3%) e manufaturados (3,5%). A média diária exportada foi de US$ 585,6 milhões.
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