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Produção cresce 18,1% até março
Pressionada pelo forte aquecimento do consumo interno e com estoques em baixa, a indústria voltou a andar no ritmo pré-crise.
o IOF”, apontou Bresser. Aquecimento do consumo doméstico e estoques em baixa estimulam indústrias a trabalhar em um ritmo anterior à crise internacional. Segundo especialistas, movimento nas fábricas é tão grande que garante expansão de 11,8% neste ano, mesmo que as máquinas parem agora
Pressionada pelo forte aquecimento do consumo interno e com estoques em baixa, a indústria voltou a andar no ritmo pré-crise. A produção industrial cresceu 2,8% em março, na comparação com fevereiro, superando todas as estimativas dos analistas de mercado. No primeiro trimestre do ano, a expansão nas fábricas chegou a 18,1% em relação a igual período de 2009, o que deve obrigar as consultorias a rever para cima as projeções para a economia. Na estimativa do economista-chefe da corretora Convenção, Fernando Montero, com resultados tão expressivos, o setor já garantiu o melhor desempenho em quase 25 anos. Mesmo que, numa hipótese absurda, as indústrias fechassem as portas hoje, o movimento acumulado até agora faria com que o volume produzido no ano crescesse 11,8%.
Especialistas afirmam que essa aceleração é apenas o começo de uma escalada industrial que vai puxar o Produto Interno Bruto (PIB), a soma das riquezas geradas no país. A aposta da Convenção é de que a economia cresça 7,1% neste ano, número que pode subir ainda mais dependendo dos indicadores do varejo em março — os números serão divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) na semana que vem. Com a indústria aumentando a disponibilidade de produtos no mercado doméstico, o custo de vida no país será menos pressionado, mas não o suficiente para dar um grande alívio ao bolso do consumidor. Segundo Fernando Montero, por mais que a produção tenha crescido, ainda não consegue acompanhar a procura.
Inflação
“O consumo está muito aquecido e a produção ainda está aquém dele. Não há dúvida de que a indústria pode crescer muito mais. Ainda assim, não será o suficiente. Por isso, já estamos sentindo os reflexos na inflação e, de alguma forma, nas expectativas para a política monetária. As projeções de mercado para a Selic (taxa básica de juros) e para a inflação não vão baixar”, afirmou Montero. Ele avaliou que se a economia, a inflação e o consumo estão em um ritmo acima do esperado e os investimentos (1) terão de “correr atrás” para atender a esse movimento, evitando a alta dos preços. Por isso, não há como os juros básicos caírem. “Se o Banco Central, que é o piloto do avião, não fizer o ajuste necessário, a economia vai fazer e será na forma de inflação forte.”
O nível de produção em março foi tão elevado que ficou apenas 0,3% abaixo do recorde histórico da indústria, alcançado em julho de 2008. O desempenho do mês quase zerou as perdas de 20,6% acumuladas com a crise financeira. A despeito dessa recuperação, a Pesquisa Industrial Mensal registrou que nem todos os segmentos se recuperaram: as áreas de refino de petróleo e álcool, fumo e equipamentos de transporte, foram as únicas que continuaram no vermelho na comparação com março do ano passado. De acordo com análise do IBGE, para os setores que apresentaram resultados positivos muito elevados, é preciso levar em conta também a base de comparação baixa. Em 2009, a crise estava plenamente instalada, reduzindo drasticamente a produção brasileira. O destaque foi o ramo automotivo, com expansão de 38,46% no mês.
1 - Bens de capital
Para atender a forte demanda, a indústria precisou aumentar investimentos e passou a produzir mais bens de capital (máquinas destinadas ao setor produtivo), um segmento que avançou 38,4% em março. A taxa é a maior desde os 39,9% do mesmo mês de 2004 e foi influenciada principalmente pela expansão nos setores de equipamentos de transporte (33,7%), para construção (244,5%) e para fins industriais (23,1%). No trimestre, a produção de bens de capital subiu 25,6%. A expectativa para o decorrer do ano é de que esse avanço continue a passos largos. Ainda assim, sempre um pouco atrás do ritmo de consumo no mercado doméstico. (VM)
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