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Na hora da crise: como montar uma estratégia de renegociação de dívidas
Planejamento financeiro é crucial para empresas que buscam aliviar o caixa, evitar inadimplência e preservar a reputação no mercado
Mais do que uma tática de sobrevivência, a renegociação de passivos de uma empresa deve ser vista como parte estratégica do planejamento financeiro. Para isso, é fundamental que o empresário tenha um planejamento e real noção das finanças do negócio.
“É preciso ter clareza sobre a capacidade de pagamento da empresa. Um compromisso de renegociação deve ser quitado com o resultado da empresa, e não ser tratado como se fosse parte da operação. Isso é um erro recorrente”, ressalta o CEO da Avante Assessoria, especializada em reestruturação financeira empresarial, Benito Pedro Vieira Santos.
A renegociação de passivos tem impacto direto na continuidade e na expansão do negócio. Ao aliviar o caixa, a empresa ganha fôlego para investir, evita inadimplência e preserva sua reputação no mercado..
“Se a dívida compromete mais de 30% do Ebitda, a renegociação deixa de ser uma opção e passa a ser uma medida de sobrevivência. Por outro lado, se a empresa tem potencial de crescimento, alongar prazos pode transformar passivos em oportunidades”, ressalta Santos.
Como fazer uma renegociação que não comprometa o futuro da empresa
Para saber como proceder de forma correta, o especialista lista dicas fundamentais na hora de realizar essa operação.
Primeiro passo: o diagnóstico financeiro
Antes da renegociação, é fundamental entender o ponto de equilíbrio do negócio. É preciso mapear os custos operacionais, despesas patrimoniais, endividamento atual, ativos disponíveis e indicadores como Ebitda, margem líquida e liquidez corrente.
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Passo 2: priorize os passivos
Inicialmente, renegociar todas as dívidas ao mesmo tempo pode ser inviável. Assim, o CEO da Avante recomenda uma metodologia de priorização baseada em urgência e impacto:
Prioridade 1: dívidas com juros mais altos ou que afetam a operação diretamente (como fornecedores estratégicos);
Prioridade 2: passivos fiscais, que podem ser renegociados por meio de parcelamentos como Refis;
Prioridade 3: empréstimos com garantias reais.
Também avalie a flexibilidade de cada credor.
Passo 3: customize a renegociação de acordo com o perfil de cada credor:
Bancos
-
Apresente demonstrativos atualizados e um plano de recuperação consistente;
-
Negocie a substituição de dívidas caras por linhas de crédito mais baratas;
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Utilize garantias reais para obter melhores condições.
Fornecedores
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Proponha prazos maiores ou descontos para pagamentos à vista;
-
Negocie exclusividades em troca de melhores termos.
Fisco
-
Aderir a programas como Refis ou buscar transações tributárias para reduzir multas e juros;
-
Avalie possibilidades de compensação de créditos fiscais.
Transação tributária como estratégia de reestruturação
Em último lugar, vale destacar também as dívidas fiscais. Além de poderem entrar nos tradicionais parcelamentos como o Refis, há a opção de adesão à transação tributária. Diferentemente do parcelamento convencional, esse mecanismo jurídico permite uma negociação mais flexível, com possibilidade de descontos expressivos, prazos estendidos e até suspensão de execuções fiscais.
A modalidade tem sido utilizada com sucesso por empresas de diferentes portes, inclusive em situações de recuperação judicial.
“A transação tributária não é apenas uma alternativa de pagamento, mas sim uma oportunidade real de reestruturação fiscal. Ela oferece ao contribuinte a chance de ajustar seus débitos com base em sua capacidade financeira atual, o que é essencial em um contexto de recuperação ou expansão”, conclui o advogado Thiago Santana Lira.
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