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Possível fim da escala 6×1 exige preparação operacional prévia das empresas, alerta consultoria
Debate sobre redução da jornada ainda ignora impactos em escalas, produtividade, equipes e planejamento operacional das companhias
Enquanto o debate sobre o possível fim da escala 6×1 avança no Brasil sob forte viés político e trabalhista, empresas começam a se deparar com uma discussão ainda pouco explorada: como preparar a operação para uma eventual mudança no modelo de jornada antes mesmo de uma definição regulatória.
Na avaliação da consultoria Peers Consulting + Technology, grande parte das análises públicas ainda está concentrada nos impactos econômicos e nas discussões sobre direitos trabalhistas. No entanto, existe uma camada operacional que tende a pressionar diretamente empresas, áreas de Recursos Humanos e lideranças de gestão.
“Na prática, reduzir jornada exige rever escalas, turnos, dimensionamento de equipes, metas de produtividade e até acordos coletivos”, afirma Alexandra Nunes.
Segundo ela, dependendo do segmento, a mudança pode demandar contratação de profissionais, redistribuição de atividades ou até aceleração de processos de automação.
A executiva explica que os impactos não serão homogêneos entre os setores da economia. Segmentos como varejo, call center, alimentação e hospitalidade tendem a ter maior flexibilidade para reorganização operacional. Já indústrias, hospitais e operações contínuas enfrentam obstáculos mais complexos devido à necessidade permanente de cobertura e produção ininterrupta.
Outro ponto levantado pela consultoria envolve o risco de intensificação do trabalho. Segundo Alexandra, existe a possibilidade de empresas tentarem manter o mesmo volume de entregas em menos horas trabalhadas, o que pode gerar sobrecarga das equipes e efeito contrário ao esperado pela mudança.
“A simples compressão das mesmas tarefas em menos tempo pode aumentar a pressão sobre lideranças intermediárias e reduzir os benefícios esperados da nova jornada”, destaca.
Na visão da Peers, o centro da discussão deveria estar em workforce planning. Ou seja, em um planejamento estruturado da força de trabalho antes da eventual implementação de novas regras.
Isso inclui mapear quantos profissionais atualmente atuam em escala 6×1, identificar funções críticas, simular cenários de jornada e calcular impactos reais sobre folha de pagamento, produtividade e cobertura operacional.
Além da preocupação com custos, a consultoria observa que empresas que iniciaram testes de modelos alternativos já registram alguns indicadores positivos. Em operações do varejo que migraram para escalas 5×2, houve redução de turnover e de horas extras, além de aumento de produtividade e crescimento aproximado de 10% nas vendas em lojas piloto.
Fato é que a discussão tende a ganhar relevância crescente entre áreas de RH, compliance trabalhista e planejamento estratégico, especialmente em empresas com grande número de funcionários operacionais e atendimento contínuo. Nesse cenário, a preparação antecipada pode se tornar um diferencial competitivo para organizações que desejam reduzir riscos de transição caso haja mudanças efetivas na legislação trabalhista brasileira.
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