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Seu ego está sabotando a sua liderança
Os maiores erros de uma operação raramente começam na estratégia. Eles começam na liderança
Ao longo da minha trajetória, aprendi que os maiores erros de uma operação raramente começam na estratégia. Eles começam na liderança.
E, muitas vezes, têm a mesma origem: o ego. Não é um tema confortável. Mas é um tema real. O ego não se apresenta como um problema. Ele chega travestido de segurança, de experiência, de convicção. Ele faz o líder acreditar que já viu o suficiente, que já sabe o caminho, que pode decidir sozinho. E é exatamente aí que começam os desvios.
No varejo, isso fica evidente de forma quase didática. Excesso de estoque, erro de coleção, contratação equivocada. Decisões que parecem pequenas, mas que, somadas, comprometem o resultado.
Quando você olha de perto, percebe que não foi falta de informação. Foi falta de escuta. Quando o ego entra, a escuta sai. E sem escuta, não existe liderança. Existe comando.
O problema do comando é que ele pode até funcionar no curto prazo. Mas não sustenta consistência. Porque ele ignora algo essencial: quem está na ponta do negócio. Vendedores, estoquistas, equipes de loja, aqueles que costumo chamar de “os miúdos”. São eles que estão olhando o cliente, ouvindo objeções, percebendo mudanças de comportamento antes que qualquer relatório consiga capturar.
Mas o líder que opera a partir do ego não acessa essa inteligência. Ele decide sozinho. E, inevitavelmente, erra sozinho. Existe uma crença equivocada de que liderança está associada à capacidade de ter respostas. Não está. Liderança está associada à capacidade de fazer boas perguntas e de criar um ambiente onde as respostas possam emergir.
E isso exige humildade. Não como discurso, mas como prática. Na forma de ouvir, de ajustar rota, de reconhecer que a realidade do negócio não está na sala de reunião, mas no dia a dia da operação.
Ao longo dos anos, vi líderes extremamente competentes perderem consistência porque deixaram de ouvir. Porque passaram a confiar mais na própria leitura do que na leitura coletiva do time. E vi também o contrário: operações simples ganharem força quando o líder cria espaço para que as pessoas contribuam, questionem e participem das decisões.
Isso não diminui a liderança. Pelo contrário, fortalece. Porque liderar não é centralizar. É saber orquestrar. E orquestrar exige escuta, ajuste e capacidade de lidar com complexidade. Por isso, uma das provocações mais importantes que faço para líderes é simples: você está, de fato, ouvindo o seu time? Ou está apenas validando aquilo que já decidiu? Essa diferença é sutil. Mas ela define o resultado. O ego cria distância. A escuta cria conexão.
E, no fim do dia, negócios são feitos de decisões, mas são sustentados por pessoas. Por isso, repito algo que carrego comigo há anos: ego no bolso. Bolso furado. Ego no chão. Não como frase de efeito, mas como prática de liderança. Porque o líder que entende isso constrói algo que vai além do resultado imediato. Constrói consistência. Constrói confiança. Constrói um time que pensa junto.
E, nesse nível, liderança deixa de ser posição e passa a ser movimento. Um movimento que, quando bem conduzido, transforma não só a operação, mas as pessoas que fazem parte dela.
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